SOBRE A ARTISTA
O percurso artístico de Ana Mascarenhas nasce de uma relação profunda com a imagem, a palavra e a experiência sensível do mundo. A fotografia surge como meio central da sua prática, não enquanto registo documental, mas como ponto de partida para a construção de narrativas visuais que exploram emoção, memória e transformação.
Após um longo percurso profissional na área das Tecnologias de Informação e Comunicação, Ana redefine o seu caminho e dedica-se integralmente à criação artística. Esta transição não representa uma rutura, mas um deslocamento: da lógica para a intuição, da estrutura para o gesto, do visível para o sentido. A sua prática artística consolida-se nesse território intermédio, onde a técnica serve a expressão e não o contrário.
Paralelamente à fotografia, desenvolve um trabalho consistente na escrita, sendo autora de vários livros de poesia, prosa poética e fotografia. Esta ligação entre palavra e imagem atravessa toda a sua obra visual, conferindo-lhe uma dimensão narrativa e introspetiva. As imagens não pretendem explicar — sugerem, evocam, permanecem abertas.
Recusando delimitações rígidas de género ou estilo, a sua prática é deliberadamente eclética e livre. Ana Mascarenhas trabalha tanto a abstração como a figuração, o detalhe como o espaço, o movimento como o silêncio. Interessa-lhe a essência dos lugares, das formas e das atmosferas — sejam elas encontradas em paisagens remotas, corpos em movimento ou espaços habitados.
Em muitos dos seus projetos, a obra estabelece um diálogo direto com o espaço arquitetónico, integrando-se em ambientes como hotéis, casas privadas ou espaços culturais. A imagem transforma-se então em presença, refletindo a identidade do lugar e acrescentando-lhe uma camada sensível e narrativa.
O seu trabalho propõe um encontro entre realidade e imaginação, onde a fotografia se torna vestígio e a intervenção, transformação. Cada obra é um convite à meditação e à interpretação pessoal, completando-se no olhar de quem a observa.

